Mendigo
novembro 22, 2009, 1:58 pm
Filed under: Palavras

Mendigo

Uma rua, esquina, um beco escuro
Um olhar pedinte por cima do muro

Tudo fica bem mais importante
quando a gente simplesmente não tem nada.

Viver de olhares, de pequenos sorrisos
que nem são pra você, afinal de contas
(mas são reais, isso que importa!)
viver de palavras, tortas e tontas
viver na rua, sem teto e sem piso

Viver de fiapos, viver de migalhas
de momentos perdidos, pequenos e raros
viver sem saber, quando ou o quê
viver sem viver, sem poder, sem querer

E a mão que alimenta dá, sem noção,
do faminto, do mendigo, que já lhe quer toda a mão
não só as migalhas, não só os sorrisos
não só as palavras, não só os seus risos
não só a rua, um teto e um chão…

Como é difícil, como agora eu entendo
o mendigo que não tem coragem de pedir uma esmola
que não tem coragem de olhar nos olhos e enfraquecer
mas que revira as latas de lixo, escondido

E o olho que te olha, que te molha, sofrido
“Eu não me arrependo”, diz ele, mas não fala
“Eu não me arrependo”… eu entendo, eu entendo.
Sem realmente querer entender.

Ele ainda tem o seu orgulho, mesmo que humilhado
Ele ainda é ser humano, bobo e apaixonado.

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Tempestade
novembro 2, 2009, 9:45 pm
Filed under: Palavras

As palavras acabam sendo desnecessárias…
A calmaria diz tudo.

Como um filme
A tarde passa
As cenas passam
Repassam
Como nuvens despercebidas
Rumo a um céu, agora escuro.

Meus olhos correm, afiados
Um gesto, dois gestos
E nada mais.
Meus olhos escorrem, afiados
E o filme trava, em minha mente
Tudo trava… e as gotas, grossas
Finalmente começam a cair

As estrelas parecem brilhar mais
Com a chuva caindo e escorrendo
Dentro do meu mundinho, exagerado
Metáforas, metáforas… e tudo que se passa
Vira motivo do meu fracasso
Vira exemplo da minha agonia

Turbilhão, ventania, trovões
Meu mundo fechado, dolorido
Minha tempestade em copo d’água



Ideia ao vento
setembro 15, 2009, 11:45 pm
Filed under: Palavras

O que fazer, o que temer?
Quando tudo o que importa dá as costas pra você?
Sorte de quem ganha… Se ganha, cigano
Sorte de quem ama sem ter medo de dizer

O que fazer? Se render?
Dar as costas a um mundo que tem medo de você?
O que importa? Revolta… Das palavras que não saem
Dos sonhos que insistem em bater na minha porta

O que sentir, como ser?
(como ser contente se você é o diferente?)
Criticado, sou insurgente
de uma vida na mesmice
Alguém que foge todo dia dessa pétrea idiotice

Estou sozinho, mas nunca só
não importa o caminho
Não tem carona? Vou a pé
Se não der pra andar em frente eu ando de marcha ré
Olha a pedra! Não tem problema…
Cair e levantar faz parte do sistema
Estou sozinho, mas nunca só
unido com o todo em busca de um eu maior

Sem amor, sem acalento
Reformulado, intolerado, um segredo mal contado
Um isento, um sentimento, uma ideia sem acento, sem rumo,
jogada ao vento…
jogada ao vento.

Quem sabe? Devo partir?
Logo isso, o que todo mundo quer ouvir?
Acho que não.
Porque num dia claro, nublado, embriagado
Essa chuva de outono
que corre na contramão,
ainda vai parar o dia, com maestria
pra poder me ver sorrir.



Brainstorm!
julho 14, 2009, 5:51 pm
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Anda, que tua dança te espera
Teu palco aguarda a tua presença
Teu andar demasiado lento
Teu sonho demasiado grande

Os olhos não alcançam
Mas os lábios… ah, os lábios
Estes surgem e, sim,  andam
O teu deferido passo

E o andar que vai
E o sorriso que tem
E os lábios que vão
E o amor de ninguém
E os sonhos de quem
Pensa que cai
E acaba no não.

Mas nem mesmo os Deuses
Tiveram a coragem
De lhe tirar a beleza,
Pecado Feminino

Meu destino de outrora.

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Conturbação
julho 14, 2009, 5:38 pm
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Ah, as viagens pelo mundo
Pelo mágico, pelo corpo
Pelo sonho, pela mente!

Ah, as malandragens do texto
As peripécias do jeito
As traquinas palavras!

Ah, o percalço do impasse
A derrota e o derrame
A tristeza sinestésica!

Ah, o mundo sem alcance
A vida lance a lance
O sujeito e o predicado!

Ah, a melancolia dementada
A paixão desvirtuada
A confusão apontada…
Seus caminhos rugosos
Pedregulhos na alma
Pontadas no coração!

Ah, como é triste
A vida do poeta

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Aleatoriedade
julho 13, 2009, 8:21 pm
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Aleatoriedade,

É notório como cada um de nós se extravasa de um jeito diferente do seu próximo. Há pessoas que gritam, pessoas que batem, pessoas que choram… bom, eu escrevo. Nem sempre algo que faz sentido, claro, mas só o ato de escrever em sí já alivia um pouco da angústia. Então, me perdoem se isso não fizer sentido para vocês, para mim também não faz. Entretanto, se está na minha cabeça, está pronto pra sair, e que assim seja! O resto é paniquito.

“Se os sonhos das polegadas quânticas fossem risotos alegres e boçais, nada mais diferente e mútuo do que o grande circunstremismo da vida.”

Por causa de seu ciclo vicioso e polaco de citações sem destino, a vivência nos traz e nos leva pelos caminhos secos da maneira mais surreal e impostora. Decerto, já que auto-afirmamentos mesozóicos ainda estão no auge da polaridade atual, vale lembrar toda a incongruência da vida e das suas pacatas e empacadas situações, deveres, prazeres e Ioiôs.

Não enxergue muito doce, amigo caro, nem ouça muito claro, pois o paladar das coisas vãs parecem deixar a experiência mais intrumental do que talvez ela devesse ser.”

E, para terminar, algo que eu talvez li, mas não sei ao certo. Vale o riso, pelo menos.

” A vida é um travesti.
Não é o que você pensa que é
Não serve pro que você quer
E provavelmente vai te..”

Ah, a sutileza de um elefante manco.

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Peter Pan
julho 4, 2009, 1:10 am
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(Ferramenta: Photoshop)

Era uma vez…

Um garoto diferente. Na verdade, não sei se era, se foi, ou se jamais conseguiu ser garoto… porém, todos sabemos que Michael Jackson era diferente. E não por ser um artista fenomenal. Não… digo nos pensamentos. Brilhante, sim, porque burro ele jamais foi. Agora, confuso já é outra estória…

Infância de verdade ele nunca teve. Muitos não têm, claro. A vida é menos maleável que o aço, às vezes, e há pessoas piores que outras; menos pais e mães e mais homens e mulheres desvirtuados. Talvez a diferença de homem para homem esteja diretamente ligada ao tratamento da infância, ou talvez seja algo entranhado em nós mesmos… ou talvez até um pouco dos dois, não saberia dizer ao certo. Não entendo de psicologia; se quiserem saber a resposta mais concreta possível, perguntem aos psicólogos.

Vejam: eu apenas digo o que acho, nada mais; escrevo minhas idéias e não minhas certezas, já que estas não têm tanta graça ou poesia. E o que eu acho, de verdade, é que Michael Jackson foi adulto quando queria ser criança, e tentou ser criança quando precisava ser adulto. E achou que conseguiria.

Muito dinheiro faz isso com as pessoas: faz elas acreditarem que têm o poder de moldar a realidade ao seu belprazer, como verdadeiros artíficies da vontade, e trazer todos os seus sonhos aos seus pés… e o sonho particular de Michael Jackson sempre foi sua infância querida, que os anos não trazem mais. Que nunca trouxeram, que lhe fora roubada, que lhe fora arrancada à força!

Ah, meu pai! – deveria tê-lo pensado, um dia, o cantor negro da pele branca – Como eu queria um pai de verdade para ser criança de verdade!

E aí ele percebeu… há sempre o dinheiro…! Comprar sua infância de volta? Teoricamente é algo ridículo, não é? Bem, parando pra pensar… nem tanto assim. Não para ele, e duvido que para muita gente isso o seja também.

Porém, por mais que não seja ridículo, é impossível. Sei mais do que muitos o quão difícil é ser um Peter Pan. Não nascemos para parar ou voltar o tempo, nem para fazer moonwalks na vida. Nossos passos sempre, por mais lentos e por mais que olhemos para trás, fazem sua própria dança rumo ao futuro. E às vezes, entender isso custa muito mais do que só um pouco de tempo: custa bilhões e bilhões de dólares, que moldam uma Terra do Nunca em lar e os Hérois dos Quadrinhos em pedra, trazendo os sonhos mais pra perto e os problemas mais pra longe.

E, às vezes, custa sua própria vida.

Talvez, depois de pensamentos como esses, uma pergunta baile na mente de todos, fazendo seus rodopios no palco da mente de cada um: E se ele não conseguiu ser criança, e não conseguiu ser adulto… o que ele conseguiu ser, afinal??

Hahaha! – debocham das palavras os seus fãs – alguém precisa mesmo responder?

*

– Esse é um texto em homenagem ao Rei do Pop, escrito por Phillip Thibodeaux, que demostra o carinho do HisDream pela pessoa que foi Michael Jackson. Acima de tudo ele foi um ser humano que acreditou em seus sonhos, e merece como qualquer outro sonhador, nosso respeito. Que descanse em paz!

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