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Mendigo
Uma rua, esquina, um beco escuro
Um olhar pedinte por cima do muro
Tudo fica bem mais importante
quando a gente simplesmente não tem nada.
Viver de olhares, de pequenos sorrisos
que nem são pra você, afinal de contas
(mas são reais, isso que importa!)
viver de palavras, tortas e tontas
viver na rua, sem teto e sem piso
Viver de fiapos, viver de migalhas
de momentos perdidos, pequenos e raros
viver sem saber, quando ou o quê
viver sem viver, sem poder, sem querer
E a mão que alimenta dá, sem noção,
do faminto, do mendigo, que já lhe quer toda a mão
não só as migalhas, não só os sorrisos
não só as palavras, não só os seus risos
não só a rua, um teto e um chão…
Como é difícil, como agora eu entendo
o mendigo que não tem coragem de pedir uma esmola
que não tem coragem de olhar nos olhos e enfraquecer
mas que revira as latas de lixo, escondido
E o olho que te olha, que te molha, sofrido
“Eu não me arrependo”, diz ele, mas não fala
“Eu não me arrependo”… eu entendo, eu entendo.
Sem realmente querer entender.
Ele ainda tem o seu orgulho, mesmo que humilhado
Ele ainda é ser humano, bobo e apaixonado.
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As palavras acabam sendo desnecessárias…
A calmaria diz tudo.
Como um filme
A tarde passa
As cenas passam
Repassam
Como nuvens despercebidas
Rumo a um céu, agora escuro.
Meus olhos correm, afiados
Um gesto, dois gestos
E nada mais.
Meus olhos escorrem, afiados
E o filme trava, em minha mente
Tudo trava… e as gotas, grossas
Finalmente começam a cair
…
As estrelas parecem brilhar mais
Com a chuva caindo e escorrendo
Dentro do meu mundinho, exagerado
Metáforas, metáforas… e tudo que se passa
Vira motivo do meu fracasso
Vira exemplo da minha agonia
Turbilhão, ventania, trovões
Meu mundo fechado, dolorido
Minha tempestade em copo d’água
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O que fazer, o que temer?
Quando tudo o que importa dá as costas pra você?
Sorte de quem ganha… Se ganha, cigano
Sorte de quem ama sem ter medo de dizer
O que fazer? Se render?
Dar as costas a um mundo que tem medo de você?
O que importa? Revolta… Das palavras que não saem
Dos sonhos que insistem em bater na minha porta
O que sentir, como ser?
(como ser contente se você é o diferente?)
Criticado, sou insurgente
de uma vida na mesmice
Alguém que foge todo dia dessa pétrea idiotice
Estou sozinho, mas nunca só
não importa o caminho
Não tem carona? Vou a pé
Se não der pra andar em frente eu ando de marcha ré
Olha a pedra! Não tem problema…
Cair e levantar faz parte do sistema
Estou sozinho, mas nunca só
unido com o todo em busca de um eu maior
Sem amor, sem acalento
Reformulado, intolerado, um segredo mal contado
Um isento, um sentimento, uma ideia sem acento, sem rumo,
jogada ao vento…
jogada ao vento.
Quem sabe? Devo partir?
Logo isso, o que todo mundo quer ouvir?
Acho que não.
Porque num dia claro, nublado, embriagado
Essa chuva de outono
que corre na contramão,
ainda vai parar o dia, com maestria
pra poder me ver sorrir.
Anda, que tua dança te espera
Teu palco aguarda a tua presença
Teu andar demasiado lento
Teu sonho demasiado grande
Os olhos não alcançam
Mas os lábios… ah, os lábios
Estes surgem e, sim, andam
O teu deferido passo
E o andar que vai
E o sorriso que tem
E os lábios que vão
E o amor de ninguém
E os sonhos de quem
Pensa que cai
E acaba no não.
Mas nem mesmo os Deuses
Tiveram a coragem
De lhe tirar a beleza,
Pecado Feminino
Meu destino de outrora.

Ah, as viagens pelo mundo
Pelo mágico, pelo corpo
Pelo sonho, pela mente!
Ah, as malandragens do texto
As peripécias do jeito
As traquinas palavras!
Ah, o percalço do impasse
A derrota e o derrame
A tristeza sinestésica!
Ah, o mundo sem alcance
A vida lance a lance
O sujeito e o predicado!
Ah, a melancolia dementada
A paixão desvirtuada
A confusão apontada…
Seus caminhos rugosos
Pedregulhos na alma
Pontadas no coração!
Ah, como é triste
A vida do poeta

Aleatoriedade,
É notório como cada um de nós se extravasa de um jeito diferente do seu próximo. Há pessoas que gritam, pessoas que batem, pessoas que choram… bom, eu escrevo. Nem sempre algo que faz sentido, claro, mas só o ato de escrever em sí já alivia um pouco da angústia. Então, me perdoem se isso não fizer sentido para vocês, para mim também não faz. Entretanto, se está na minha cabeça, está pronto pra sair, e que assim seja! O resto é paniquito.
“Se os sonhos das polegadas quânticas fossem risotos alegres e boçais, nada mais diferente e mútuo do que o grande circunstremismo da vida.”
Por causa de seu ciclo vicioso e polaco de citações sem destino, a vivência nos traz e nos leva pelos caminhos secos da maneira mais surreal e impostora. Decerto, já que auto-afirmamentos mesozóicos ainda estão no auge da polaridade atual, vale lembrar toda a incongruência da vida e das suas pacatas e empacadas situações, deveres, prazeres e Ioiôs.
“Não enxergue muito doce, amigo caro, nem ouça muito claro, pois o paladar das coisas vãs parecem deixar a experiência mais intrumental do que talvez ela devesse ser.”
E, para terminar, algo que eu talvez li, mas não sei ao certo. Vale o riso, pelo menos.
” A vida é um travesti.
Não é o que você pensa que é
Não serve pro que você quer
E provavelmente vai te..”
Ah, a sutileza de um elefante manco.

Filed under: Palavras | Tags: Infância, Irreal, Michael Jackson, morte, Palavras, Peter Pan, sonho
(Ferramenta: Photoshop)
Era uma vez…
Um garoto diferente. Na verdade, não sei se era, se foi, ou se jamais conseguiu ser garoto… porém, todos sabemos que Michael Jackson era diferente. E não por ser um artista fenomenal. Não… digo nos pensamentos. Brilhante, sim, porque burro ele jamais foi. Agora, confuso já é outra estória…
Infância de verdade ele nunca teve. Muitos não têm, claro. A vida é menos maleável que o aço, às vezes, e há pessoas piores que outras; menos pais e mães e mais homens e mulheres desvirtuados. Talvez a diferença de homem para homem esteja diretamente ligada ao tratamento da infância, ou talvez seja algo entranhado em nós mesmos… ou talvez até um pouco dos dois, não saberia dizer ao certo. Não entendo de psicologia; se quiserem saber a resposta mais concreta possível, perguntem aos psicólogos.
Vejam: eu apenas digo o que acho, nada mais; escrevo minhas idéias e não minhas certezas, já que estas não têm tanta graça ou poesia. E o que eu acho, de verdade, é que Michael Jackson foi adulto quando queria ser criança, e tentou ser criança quando precisava ser adulto. E achou que conseguiria.
Muito dinheiro faz isso com as pessoas: faz elas acreditarem que têm o poder de moldar a realidade ao seu belprazer, como verdadeiros artíficies da vontade, e trazer todos os seus sonhos aos seus pés… e o sonho particular de Michael Jackson sempre foi sua infância querida, que os anos não trazem mais. Que nunca trouxeram, que lhe fora roubada, que lhe fora arrancada à força!
Ah, meu pai! – deveria tê-lo pensado, um dia, o cantor negro da pele branca – Como eu queria um pai de verdade para ser criança de verdade!
E aí ele percebeu… há sempre o dinheiro…! Comprar sua infância de volta? Teoricamente é algo ridículo, não é? Bem, parando pra pensar… nem tanto assim. Não para ele, e duvido que para muita gente isso o seja também.
Porém, por mais que não seja ridículo, é impossível. Sei mais do que muitos o quão difícil é ser um Peter Pan. Não nascemos para parar ou voltar o tempo, nem para fazer moonwalks na vida. Nossos passos sempre, por mais lentos e por mais que olhemos para trás, fazem sua própria dança rumo ao futuro. E às vezes, entender isso custa muito mais do que só um pouco de tempo: custa bilhões e bilhões de dólares, que moldam uma Terra do Nunca em lar e os Hérois dos Quadrinhos em pedra, trazendo os sonhos mais pra perto e os problemas mais pra longe.
E, às vezes, custa sua própria vida.
Talvez, depois de pensamentos como esses, uma pergunta baile na mente de todos, fazendo seus rodopios no palco da mente de cada um: E se ele não conseguiu ser criança, e não conseguiu ser adulto… o que ele conseguiu ser, afinal??
Hahaha! – debocham das palavras os seus fãs – alguém precisa mesmo responder?
*
- Esse é um texto em homenagem ao Rei do Pop, escrito por Phillip Thibodeaux, que demostra o carinho do HisDream pela pessoa que foi Michael Jackson. Acima de tudo ele foi um ser humano que acreditou em seus sonhos, e merece como qualquer outro sonhador, nosso respeito. Que descanse em paz!

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É impressão minha, ou hoje em dia tudo o que aparece é visto por lentes distorcidas?
Hoje parei e reparei. Durante a minha aula de Direito Civil, a professora fez alguns anúncios, levemente revoltada com a infantilidade de algumas pessoas. Não vou realmente expor aqui as frases ou a indignação em si, mas deixo explícita a idéia do que se trata: Como pode alguém ouvir algumas palavras e as distorcerem para sua própria conveniência?
Não sei. Tudo o que eu vejo hoje são segundas intenções, palavras de duplo, triplo, quádruplo sentido. Eu costumo pensar, às vezes, em meus devaneios loucos, que o mundo pode ser visto através dos estilos de época: Já tive uma época Impressionista, onde todas as cores brilhavam e faziam brilhar também meus olhos de criança. Depois, o Van Gogh adolescente em mim passou a dominar, de vez em quando, assim e assado, me passando toda a melancolia da fase azul.
Se eu fosse definir meu mundo de hoje em dia, diria talvez que o Monet em mim tenha morrido, por mais que eu o tente trazer de volta. Vejo agora o mundo através de uma lente meio vazia, agora como uma pintura amadora; sem estilo ou artista definido. Apenas um retrato pintado ao vento.
Entretanto, talvez por isso eu veja a lente por detrás dos olhos das outras pessoas, já que o meu quadro é o mais mundano possível. Eu olho e vejo, claramente, que a mente de uma grande parte é agora adepta do Cubismo: a cada imagem, a cada palavra, a cada olhar, a cada sorriso sincero você procura todos os ângulos, todos os defeitos, todos os motivos… e com essa procura incessante, acaba esquecendo que aquele sorriso era, antes, um sorriso. Tudo o que você vê agora são fragmentos de um sorriso de tantos e tantos lados, que já não tem mais significado pra você. A beleza da vida distorcida pela mente doente. Aquilo que lhe era belo, perdeu a beleza pela desconfiança.
Chamem-me de ingênuo, pois então. Prefiro a ingenuidade, mesmo assim. Acho que ela me aproxima mais do impressionismo de antigamente do que do cubismo da vida adulta. Me engane, se quiser, e talvez até conseguirá; porém, não conseguirá jamais me fazer contestar que um sorriso, pra mim, é um sorriso e ponto final.

Um pedaço de seda e um pouco de linha
Um conto de fadas e um sonho de menina
Uma coroa, que seja hereditária
Uma tiara, para as estrelas a invejarem
Um manto azul, cor de anil
Babados,laços e fitas
Três cortes e enfeites mil
A sorte, o sonho, a Princesa…
E agora continuemos
pois ao contrário da crença
nem só de sonhos se faz a realeza.
Um pouco de cortejo e cortesia
de etiqueta e educação
Sorrisos forçados pelo passar do dia
A pose galante, sempre, indestrutível
A armadura de aço
A porcelana por debaixo
Pegue uma fita e pinte o castelo
De escravos, e criadas, e ordens
Os reinos em guerra
as disputas por terra
Os atritos que nunca se encerram
Com um rolo de intrigas
Que trazem consigo a vingança
Decore sua família
E seus desejos de poder
E cadê o amor?
O amor se perde
Entre o dever e a subserviência
entre casamentos de interesse.
De que lhe vale ser rainha
Por um rei que não te quer?
Onde está o príncipe encantado?
Quem sabe, não está ele apaixonado
Por aquela dama, que nada tem
exceto uma casa no campo,
um sorriso sincero
E a própria liberdade?
Ó, liberdade,
Tão invejada, tão almejada,
Tão indigna de uma princesa.
Não desejes as coisas por seu brilho, ó pequena criança.

Morre segundo criador do jogo Dungeons & Dragons

O Primeiro (segundo?) Mestre
O americano Dave Arneson, um dos dois criadores do jogo Dungeons & Dragons, que popularizou o fenômeno mundial dos RPG (Role-Playing Game, ou jogo de interpretação de personagens), faleceu na terça-feira aos 61 anos, anunciou nesta sexta-feira a editora do jogo.
Arneson morreu de câncer em Saint Paul (Minnesota, norte dos EUA), destacou a Wizards of the Coast, filial da Hasbro Inc., editora do D&D.
O outro autor do RPG mais famoso do mundo, Gary Gygax, faleceu em março de 2008, quando tinha 69 anos.
Arneson e Gygax lançaram a primeira edição do D&D em 1974. Em poucos anos, o jogo se tornou um fenômeno cultural em todo o mundo.
“No D&D, os heróis se tornam mais poderosos a cada batalha, e seus combates podem ser integrados a aventuras mais vastas. Isso era a grande novidade do jogo”, explicou a Wizards of the Coast.
Este RPG estimula a imaginação dos jogadores, permitindo inventar personagens mágicos, fantásticos ou heróicos e fazê-los protagonizar inúmeras aventuras com um simples tabuleiro quadriculado, um bloco de anotações e dados.
D&D conquistou milhões de adeptos em todo o mundo, em maioria jovens fascinados pelo livro “Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, do qual o jogo se inspirou.
Notícia retirada de: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/04/10/morre+segundo+criador+do+jogo+dungeons++dragons+5465902.html
É, pessoas, parece que os pioneiros se foram.
Pra quem conhece, o RPG Dungeons and Dragons é uma forma fabulosa e sem igual de garantir divertimento e trabalhar a sua criatividade. Por isso, ressalto essa pequena e insignificante homenagem aqui aos dois criadores de Dungeons and Dragons (Masmorras e Dragões); o jogo revolucionou o mundo de muita gente, inclusive o meu próprio, e por isso, nas palavras de todo um mundo, deixo aqui minha gratidão:
“Thy shall rest upon thy deserved plane of existence, great Lords of the Worlds. May the Gods look upon your souls, as your legend lives on forever. Thank you.
” Você deve descansar sobre o seu devido plano de existência, grandes Lordes dos Mundos. Que os Deuses cuidem de suas almas, enquanto sua lenda vive eternamente. Obrigado.”




